2 dias sem Internet.
Há espaço para tudo.
Há tempo para nos sentarmos na cama às 4 da tarde e de dizermos para nós mesmos: "Não tenho nada para fazer. Mesmo nada".
A estranheza desta sensação, transparece bem o frenesim em que tudo se tornou. Com a Internet, mesmo quando não há nada para fazer, há sempre alguma coisa que podemos fazer.
Assim, dei por mim deitada na minha cama feita de lavado, no meu quarto arrumado da minha casa limpa, olhando para a luz intensa que entrava pela janela pensando mais uma vez que a luz no meu quarto é fantástica e devia qualquer dia ser usada para um qualquer projecto de fotografia.
Lembrei-me das últimas vezes em que esta sensação de paz descomprometida me tinha batido há porta.
O que fazia eu nessa altura?
Olhei em redor... os meus olhos encontraram a estante (bem modesta) de livros da minha secretária. Não tendo livros suficientes para os ordenar de forma eficiente por cor, tenho-os disposto por ordem cronológica de maneira que, da esquerda para a direita, estejam dispostos os livros que fizeram a minha adolescência. O Bando dos Quatro, Harry Potter, Simon Beckett, Patrick Süskind, Dan Brown, José Saramago, José Rodrigues dos Santos...
E foi aí que me lembrei das tardes, dias até que passava a ler no meu quarto (nessa altura ainda lá em baixo).
E a sensação de entrar num outro mundo, de me apaixonar pelas personagens e as suas causas e de devorar as páginas para chegar ao fim.
Nada. Nada se compara a um livro.
Olhei então de novo para a estante e vi-os: uns quatro, cinco livros no fim daquela linha que nunca tinham sido abertos.
Foi assim que li, em dois fins-de-semana: Nua e Crua e Anjos e Demónios.

Sinto a minha inspiração a evaporar-se, por isso é melhor parar. Pela língua portuguesa e pela arte de bem escrever, vou parar, porque senão sei que vou acabar por escrever coisas do tipo: "Gostei muito. Tu ler também. É bom."
Mas prometo que critico amanha.
Prometo.
Prometo que pelo menos tento.
*

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